REVISÃO
I Bimestre – Sociologia
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- RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro - MATRIZ TUPI
- RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro - MATRIZ LUSO
1ª Atividade:
1) Para o antropólogo
Roque Laraia cultura é o conjunto de representações sociais que instituem os
sentidos que fazem cada pessoa pertencer a determinada sociedade. Por exemplo,
arte, religião, culinária, música, dança, linguagem, vestuário.
2) Não, cada sociedade
cria uma maneira sui generis de
autorepresentar-se e não é possível comparar características identitárias
diferentes.
3) As representações
culturais relacionadas a cultura erudita são aquelas que reconhecemos como da
burguesia (classe dominante), por exemplo: a música clássica; as comidas,
sobretudo, europeias e com iguarias refinadas; as danças técnicas e
sofisticadas como o balé clássico. Já as representações culturais reconhecidas
como de cultura popular são as dos trabalhadores (classe dominada), por
exemplo: festas tradicionais (maracatu, frevo, marchinhas); comidas de
trabalhadores (feijoada, sarravulho, chipa); músicas populares (samba, rock’n
roll, rap). Portanto, o sentido ideológico dessa classificação e separação
apresenta o conflito cultural de classe em nossa sociedade, para legitimar as
concepções de bom e beleza como aquilo que a maioria não possui; e, ainda,
expropriar e desvalorizar as representações culturais populares, ao mesmo
tempo, em que instituí os valores dos dominantes como referência.
4) De acordo com os
pensadores alemães integrantes da Escola de Frankfurt a cultura de massa está
relacionada a indústria cultural, em que as mercadorias são produzidas para
atingir a maioria da sociedade, de forma íntima; com o objetivo de homogeneizar
os costumes e suprimindo qualquer diferença social, étnica, etária, afetiva
e/ou psíquica. Dessa forma, a cultura de massa está relacionada a produção
industrial em série e a ideologia capitalista propagada, principalmente, pelos
mecanismos de comunicação; favorecendo a formação de uma massa de manobra que
interioriza os valores das classes dominantes como seus. Em outras palavras,
oprimido oprimindo oprimido. Para tanto, o capitalismo transforma valores
culturais tradicionais em mercadoria tanto como forma de padronizar os costumes
e culturas, como para transformá-los em consumo.
2ª Atividade:
1) Com o objetivo de
superar o pensamento criacionista e estabelecer o entendimento analítico,
científico e racional sobre a vida e a sociedade, as contribuições de Charles
Darwin em seu livro “A evolução das
espécies” fundamentou um modelo de pensamento etapista, em que, concebe a
história da Humanidade em etapas de desenvolvimento. Essa perspectiva etapista
pode variar de acordo com o foco de análise de cada corrente teórico metodológica,
por exemplo, desde as formas de organização das relações de parentesco até as
formas de produção econômica de cada sociedade. Com isso, o principal método
científico do Evolucionismo para a análise da sociedade é o comparativo. Os
pensadores comparavam as sociedades, suas culturas, seus valores e suas formas
de organização e, consequentemente, às classificava em primitivas ou complexas,
desenvolvidas ou em desenvolvimento, Primeiro Mundo ou Terceiro Mundo. Por sua
vez, esse método foi o respaldo para a colonização, o imperialismo e as
diversas formas de opressão e extinção de inúmeras sociedades; pois
classificava como parâmetro de sociedade/ cultura as europeias e colocava as
colônias africanas, americanas e asiáticas em necessidade de tutela por sua falta
de civilidade e desenvolvimento.
2)
Em seu texto “Sobre o conceito de função em Ciência Social”, Radcliffe-Brown
faz uma analogia entre a sociedade e o organismo biológico, assim, cada parte
constitutiva da sociedade tem um papel no processo da manutenção da existência
da própria sociedade/cultura e, consecutivamente, do individuo e da vida. Ou
seja, a estrutura que garante o funcionamento da vida em sociedade é mantida
por uma série de relações sociais entre diferentes grupos. De acordo com Bronislaw
Malinowski, compete ao antropólogo, por meio do procedimento de pesquisa
chamado observação participante, entender a estrutura de funcionamento da
sociedade pesquisada, portanto, o pesquisador deve ser inserido e precisa
participar das relações intergrupais e ser aceito para desvendar os códigos que
garantem a sobrevivência da sociedade.
3)
“À arqueologia coube o estudo da espécie humana – da chamada Pré-História – e
do passado de civilizações já desaparecidas da Antiguidade, como os egípcios e
os hebreus. À etnologia coube o estudo da diversidade da espécie humana, ou
seja, a identificação das diversas etnias existentes [...] A antropologia
cultural definiu como objeto as sociedades não-européias e os povos sem
escrita, para que fossem descobertos seus modelos de organização social e sua
dinâmica.” (COSTA, Cristina. Sociologia:
Introdução à ciência da sociedade. 2ª Edição. São Paulo: Editora Moderna,
1997. p. 108)
4)
Inicialmente, a Antropologia foi um instrumento para domínio das sociedades
colonizadas e expansão do Eurocentrismo e seu projeto civilizatório
capitalista, sobretudo, por meio das expedições que estreitavam as relações
entre exploradores e explorados, ao conhecer estrategicamente as minúcias da
dinâmica de cada sociedade, assim como por disseminar as concepções de mundo
europeias.
3ª
Atividade:
1)
Ainda na década de 1950 encontramos, sobretudo na literatura infantil
brasileira, representações do indígena como o “bom selvagem”. Encontramos
impressões dessa perspectiva nos documentos da Era Colonial em que os índios
eram descritos como inocentes e dóceis, sem noções de propriedade privada e
hierarquia. Para o processo colonizador, sobretudo, capitalista civilizatório,
isso significava que os índios precisavam de tutela e não poderiam deliberar
sobre as questões da nova sociedade que estava sendo criada, portanto, era
necessário apropriar-se de suas terras e catequizá-los.
2)
Etnia, do grego ethnos, em referência
ao povo que possuí o mesmo ethos, que
partilham da mesma unidade cultural: linguagem, tradições, conhecimentos,
comportamento. De acordo com Darcy Ribeiro, a etnia é a interiorização rígida
de valores que fazem o indivíduo autorreconhecer e ser reconhecido com
pertencente a um determinado grupo. Dessa forma, para a Antropologia, a
identidade cultural são as características específicas de cada cultura, os
elementos que tornam um grupo social diferente do outro. Todavia, não podemos
perder de vista que não existem sociedades puras, pois cada sociedade constrói
sua identidade frente aos processos de interação com outras sociedades também.
3)
Características culturais das sociedades indígenas: propriedade coletiva da
terra, dos conhecimentos e do poder político; história transmitida oralmente;
divisão sexual do trabalho de acordo com os papéis sociais e não com as
liberdades coletivas/individuais; divórcio e homoafetividade aceitos
socialmente; domínio absoluto sobre as necessidades de sobrevivência (relação
sociedade/ambiente); extração somente do necessário para a sobrevivência.
4)
Sociedade brasileira contemporânea: patriarcado, machismo, homofobia,
acumulação de renda e propriedade privada. As diferenças em relação aos povos
indígenas foram pontuadas acima.
5)
Os estereótipos de indígena com preguiçoso e sujeito atrasado culturalmente faz
referência ao projeto de colonização eurocêntrico, que descarta qualquer
organização de sociedade/ cultura que não europeia. Como vimos no documentário/
pesquisa, os povos indígenas não tinham a noção de propriedade privada e
acumulação de bens como a sociedade capitalista, e muito menos uma visão
disjuntiva entre trabalho e arte, portanto, quando se ocupavam de seus rituais
e representações culturais também estavam trabalhando, e quando trabalhavam
também estavam transmitindo seus valores e história. Não há como comparar
cosmologias diferentes, não podemos analisar outras representações culturais,
valores e organizações sociais a partir da nossa.
4ª
Atividade:
1)
A localização geopolítica de Portugal é de suma importância para a configuração
cultural da Matriz Lusa e, consequentemente, para entendermos a formação do
povo brasileiro. Uma vez que, está próximo a costa ocidental do continente
africano, foi fim de rota marítima para os fenícios, que eram exímios comerciantes,
assim como os judeus que também passaram por lá; teve influência dos árabes e
seu sistema aritmético e, principalmente, retomou as grandes navegações que
mantiveram o tráfico negreiro e o trabalho escravo, assim como o comércio das
especiarias asiáticas e ameríndias. Dessa forma, tais influências culturais e
seus conhecimentos constituem o povo brasileiro também.
2)
As religiões politeístas matriarcais, sobretudos as celtas e gaulesas foram
resignificadas pelo cristianismo por meio da figura da Mãe. Por exemplo, a
relação entre as deusas pagãs e as diversas Virgens Marias e seus desígnios
específicos. Com isso, o feminino antes representado em igualdade de
importância para a criação do Universo, bem como livre, assumiu, no monoteísmo
patriarcal as configurações do papel da castidade da virgem e da maternidade;
ou seja, fortaleceu a concepção da mulher como aquela que precisa ser tutelada
e caracterizou seus ofícios pela satisfação do masculino.
3)
Na literatura portuguesa, por exemplo, Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa e
seus heterônimos, encontramos diversos trechos que remetem a relação, de quase
devoção, dos portugueses com o mar e, consequentemente, às navegações.
Primeiro, pela posição político geográfica, rodeados pelos mares foi necessário
dominá-los, mas também, pelo ofício do desconhecido e a curiosidade dos mundos
que existiam nas outras margens... Ao portugueses, era necessário desbravar
mares bravios!!!
4)
O estudo intitulado “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Hollanda foi
publicado a primeira vez em 1936, influenciado pela corrente interpretativa da
Sociologia Clássica o sociólogo estabelece dois tipos ideais que exemplificam
os sujeitos históricos que influenciaram a formação da sociedade brasileira. O
espírito aventureiro dos portugueses faz referência a adaptabilidade dos
portugueses frente ao desconhecido, assim como ao espírito de tirar vantagem
presente no tráfico negreiro e no trabalho escravo que mobilizou a maior para
da história Ocidental do Brasil... características que o estudioso apresenta
como parte do legado cultural dos portugueses na formação do povo brasileiro.
Além disso, Sérgio Buarque destaca a herança do personalismo político durante o
período colonial, cujo fenômeno ele nomeia como homem cordial, e por sua vez
funciona como obstáculo para o estabelecimento da democracia no Brasil.
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