segunda-feira, 28 de março de 2016

Revisão Sociologia

REVISÃO
I Bimestre – Sociologia
Avaliação Mensal

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- RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro - MATRIZ TUPI

- RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro - MATRIZ LUSO


1ª Atividade:

1) Para o antropólogo Roque Laraia cultura é o conjunto de representações sociais que instituem os sentidos que fazem cada pessoa pertencer a determinada sociedade. Por exemplo, arte, religião, culinária, música, dança, linguagem, vestuário.

2) Não, cada sociedade cria uma maneira sui generis de autorepresentar-se e não é possível comparar características identitárias diferentes.

3) As representações culturais relacionadas a cultura erudita são aquelas que reconhecemos como da burguesia (classe dominante), por exemplo: a música clássica; as comidas, sobretudo, europeias e com iguarias refinadas; as danças técnicas e sofisticadas como o balé clássico. Já as representações culturais reconhecidas como de cultura popular são as dos trabalhadores (classe dominada), por exemplo: festas tradicionais (maracatu, frevo, marchinhas); comidas de trabalhadores (feijoada, sarravulho, chipa); músicas populares (samba, rock’n roll, rap). Portanto, o sentido ideológico dessa classificação e separação apresenta o conflito cultural de classe em nossa sociedade, para legitimar as concepções de bom e beleza como aquilo que a maioria não possui; e, ainda, expropriar e desvalorizar as representações culturais populares, ao mesmo tempo, em que instituí os valores dos dominantes como referência.

4) De acordo com os pensadores alemães integrantes da Escola de Frankfurt a cultura de massa está relacionada a indústria cultural, em que as mercadorias são produzidas para atingir a maioria da sociedade, de forma íntima; com o objetivo de homogeneizar os costumes e suprimindo qualquer diferença social, étnica, etária, afetiva e/ou psíquica. Dessa forma, a cultura de massa está relacionada a produção industrial em série e a ideologia capitalista propagada, principalmente, pelos mecanismos de comunicação; favorecendo a formação de uma massa de manobra que interioriza os valores das classes dominantes como seus. Em outras palavras, oprimido oprimindo oprimido. Para tanto, o capitalismo transforma valores culturais tradicionais em mercadoria tanto como forma de padronizar os costumes e culturas, como para transformá-los em consumo.


2ª Atividade:

1) Com o objetivo de superar o pensamento criacionista e estabelecer o entendimento analítico, científico e racional sobre a vida e a sociedade, as contribuições de Charles Darwin em seu livro “A evolução das espécies” fundamentou um modelo de pensamento etapista, em que, concebe a história da Humanidade em etapas de desenvolvimento. Essa perspectiva etapista pode variar de acordo com o foco de análise de cada corrente teórico metodológica, por exemplo, desde as formas de organização das relações de parentesco até as formas de produção econômica de cada sociedade. Com isso, o principal método científico do Evolucionismo para a análise da sociedade é o comparativo. Os pensadores comparavam as sociedades, suas culturas, seus valores e suas formas de organização e, consequentemente, às classificava em primitivas ou complexas, desenvolvidas ou em desenvolvimento, Primeiro Mundo ou Terceiro Mundo. Por sua vez, esse método foi o respaldo para a colonização, o imperialismo e as diversas formas de opressão e extinção de inúmeras sociedades; pois classificava como parâmetro de sociedade/ cultura as europeias e colocava as colônias africanas, americanas e asiáticas em necessidade de tutela por sua falta de civilidade e desenvolvimento.

2) Em seu texto “Sobre o conceito de função em Ciência Social”, Radcliffe-Brown faz uma analogia entre a sociedade e o organismo biológico, assim, cada parte constitutiva da sociedade tem um papel no processo da manutenção da existência da própria sociedade/cultura e, consecutivamente, do individuo e da vida. Ou seja, a estrutura que garante o funcionamento da vida em sociedade é mantida por uma série de relações sociais entre diferentes grupos. De acordo com Bronislaw Malinowski, compete ao antropólogo, por meio do procedimento de pesquisa chamado observação participante, entender a estrutura de funcionamento da sociedade pesquisada, portanto, o pesquisador deve ser inserido e precisa participar das relações intergrupais e ser aceito para desvendar os códigos que garantem a sobrevivência da sociedade.

3) “À arqueologia coube o estudo da espécie humana – da chamada Pré-História – e do passado de civilizações já desaparecidas da Antiguidade, como os egípcios e os hebreus. À etnologia coube o estudo da diversidade da espécie humana, ou seja, a identificação das diversas etnias existentes [...] A antropologia cultural definiu como objeto as sociedades não-européias e os povos sem escrita, para que fossem descobertos seus modelos de organização social e sua dinâmica.” (COSTA, Cristina. Sociologia: Introdução à ciência da sociedade. 2ª Edição. São Paulo: Editora Moderna, 1997. p. 108)

4) Inicialmente, a Antropologia foi um instrumento para domínio das sociedades colonizadas e expansão do Eurocentrismo e seu projeto civilizatório capitalista, sobretudo, por meio das expedições que estreitavam as relações entre exploradores e explorados, ao conhecer estrategicamente as minúcias da dinâmica de cada sociedade, assim como por disseminar as concepções de mundo europeias.


3ª Atividade:

1) Ainda na década de 1950 encontramos, sobretudo na literatura infantil brasileira, representações do indígena como o “bom selvagem”. Encontramos impressões dessa perspectiva nos documentos da Era Colonial em que os índios eram descritos como inocentes e dóceis, sem noções de propriedade privada e hierarquia. Para o processo colonizador, sobretudo, capitalista civilizatório, isso significava que os índios precisavam de tutela e não poderiam deliberar sobre as questões da nova sociedade que estava sendo criada, portanto, era necessário apropriar-se de suas terras e catequizá-los.

2) Etnia, do grego ethnos, em referência ao povo que possuí o mesmo ethos, que partilham da mesma unidade cultural: linguagem, tradições, conhecimentos, comportamento. De acordo com Darcy Ribeiro, a etnia é a interiorização rígida de valores que fazem o indivíduo autorreconhecer e ser reconhecido com pertencente a um determinado grupo. Dessa forma, para a Antropologia, a identidade cultural são as características específicas de cada cultura, os elementos que tornam um grupo social diferente do outro. Todavia, não podemos perder de vista que não existem sociedades puras, pois cada sociedade constrói sua identidade frente aos processos de interação com outras sociedades também.

3) Características culturais das sociedades indígenas: propriedade coletiva da terra, dos conhecimentos e do poder político; história transmitida oralmente; divisão sexual do trabalho de acordo com os papéis sociais e não com as liberdades coletivas/individuais; divórcio e homoafetividade aceitos socialmente; domínio absoluto sobre as necessidades de sobrevivência (relação sociedade/ambiente); extração somente do necessário para a sobrevivência.

4) Sociedade brasileira contemporânea: patriarcado, machismo, homofobia, acumulação de renda e propriedade privada. As diferenças em relação aos povos indígenas foram pontuadas acima.

5) Os estereótipos de indígena com preguiçoso e sujeito atrasado culturalmente faz referência ao projeto de colonização eurocêntrico, que descarta qualquer organização de sociedade/ cultura que não europeia. Como vimos no documentário/ pesquisa, os povos indígenas não tinham a noção de propriedade privada e acumulação de bens como a sociedade capitalista, e muito menos uma visão disjuntiva entre trabalho e arte, portanto, quando se ocupavam de seus rituais e representações culturais também estavam trabalhando, e quando trabalhavam também estavam transmitindo seus valores e história. Não há como comparar cosmologias diferentes, não podemos analisar outras representações culturais, valores e organizações sociais a partir da nossa.


4ª Atividade:

1) A localização geopolítica de Portugal é de suma importância para a configuração cultural da Matriz Lusa e, consequentemente, para entendermos a formação do povo brasileiro. Uma vez que, está próximo a costa ocidental do continente africano, foi fim de rota marítima para os fenícios, que eram exímios comerciantes, assim como os judeus que também passaram por lá; teve influência dos árabes e seu sistema aritmético e, principalmente, retomou as grandes navegações que mantiveram o tráfico negreiro e o trabalho escravo, assim como o comércio das especiarias asiáticas e ameríndias. Dessa forma, tais influências culturais e seus conhecimentos constituem o povo brasileiro também.

2) As religiões politeístas matriarcais, sobretudos as celtas e gaulesas foram resignificadas pelo cristianismo por meio da figura da Mãe. Por exemplo, a relação entre as deusas pagãs e as diversas Virgens Marias e seus desígnios específicos. Com isso, o feminino antes representado em igualdade de importância para a criação do Universo, bem como livre, assumiu, no monoteísmo patriarcal as configurações do papel da castidade da virgem e da maternidade; ou seja, fortaleceu a concepção da mulher como aquela que precisa ser tutelada e caracterizou seus ofícios pela satisfação do masculino.

3) Na literatura portuguesa, por exemplo, Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa e seus heterônimos, encontramos diversos trechos que remetem a relação, de quase devoção, dos portugueses com o mar e, consequentemente, às navegações. Primeiro, pela posição político geográfica, rodeados pelos mares foi necessário dominá-los, mas também, pelo ofício do desconhecido e a curiosidade dos mundos que existiam nas outras margens... Ao portugueses, era necessário desbravar mares bravios!!!

4) O estudo intitulado “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Hollanda foi publicado a primeira vez em 1936, influenciado pela corrente interpretativa da Sociologia Clássica o sociólogo estabelece dois tipos ideais que exemplificam os sujeitos históricos que influenciaram a formação da sociedade brasileira. O espírito aventureiro dos portugueses faz referência a adaptabilidade dos portugueses frente ao desconhecido, assim como ao espírito de tirar vantagem presente no tráfico negreiro e no trabalho escravo que mobilizou a maior para da história Ocidental do Brasil... características que o estudioso apresenta como parte do legado cultural dos portugueses na formação do povo brasileiro. Além disso, Sérgio Buarque destaca a herança do personalismo político durante o período colonial, cujo fenômeno ele nomeia como homem cordial, e por sua vez funciona como obstáculo para o estabelecimento da democracia no Brasil.


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